Terça-feira, Maio 01, 2012

O nascer do sol

E ele ficou ali, acompanhado de alguém especial, assistindo o nascer do sol, como se aquela cena não acontecesse todos os dias. E, de joelhos dobrados e pés cruzados, acompanhou atentamente do 13o andar do hotel, o clarear do céu escuro. Nunca isso tivera tanta importância e, mal sabia ele, que essa cena passaria no filme da sua vida por todos os dias da sua eternidade.
Assim como o sol nasce, ele também se põe. E é difícil lidar com o céu escuro. Porém, vendo pelo lado bom, o contraste das estrelas não teria sentido num céu azul turquesa.
Hoje, alguns anos exatos depois, ele também esperou o nascer do sol, agora, do 13o andar de seu apartamento, sozinho. Dessa vez, o céu estava nublado e ele nao viu o sol nascer. Mas ele tinha certeza: o sol sempre nasce, mesmo quando a gente não o vê.

Terça-feira, Abril 24, 2012

O que é tristeza?

Tristeza é acordar durante a noite e olhar o travesseiro ao lado, vazio. É um domingo de manhã nublado. É ir sozinho até a padaria comprar um refrigerante dois litros para curar a ressaca do dia anterior. Tristeza é sair pra fumar um cigarro numa festa enquanto toca a nossa música. É jantar num sábado à noite olhando para o celular à espera de uma ligação que não vai chegar. É te olhar nos olhos e ver que eu não reflito mais na sua pupila.
Pensando bem, acho que isso não é tristeza.
É amor.

Segunda-feira, Abril 02, 2012

Cadê você?

Só saiu do chuveiro depois que a água quente já tinha enrugado todos os seus dedos. Aumentou a música do Right Said Fred e, enquanto dançava pro espelho, fazia penteados com os cabelos ainda molhados; o pente era o microfone. Fez a barba com cuidado, não enxugou as costas. Escolheu a melhor cueca e procurou no varal pela camiseta preferida. Vestiu a calça que já tinha o formato do seu corpo. Calçou seu tênis que acompanha seus passos nos dias especiais. Do fundo da sua gaveta, tirou o seu perfume que todo mundo quer saber o nome. Para um sábado à noite, sair de casa é um evento. Ele é daqueles que acredita na sorte de encontrar um grande amor no supermercado, mais especificamente na área dos chocolates. É lá onde as pessoas solteiras confidencializam os seus vícios através de olhares e sorrisos. Dessa vez, procurou por algum chocolate diferente, mas infelizmente ainda não conseguiu abrir mão da segurança do sabor do chocolate branco. Pagou e foi embora. Não havia ninguém de especial no supermercado aquela noite. Talvez ele tivesse que ir com um outro objetivo: o de comprar maçã. Maça é a fruta do amor, não?

Segunda-feira, Março 12, 2012

Fecha o olho e abre a porta

Hoje estou naqueles dias. Naqueles em que a gente precisa chorar. Não, não tenho motivos. Não estou triste, tampouco feliz. Só estou aqui sozinho nesse mundo cheio de gente, com vontade de chorar. Chorar é tomar um banho interno, de sal grosso. Chorar é condensar os sentimentos vaporizados, é deixar vazar os sentimentos que temos de mais. Hoje estou naqueles dias em que não me caibo dentro de mim. E quando eu penso que vou explodir, as lágrimas saem pelos meus olhos.
E aí eu sorrio e penso: sempre existe uma saída!

All in!

O amor é como um jogo de poker. O legal é apostar tudo quando você tem certeza que vai ganhar. Acredito que vou ganhar sempre, mas não apostaria nada por você. Se bem que minhas fichas estão acabando e você não vale nada mesmo.

Terça-feira, Fevereiro 28, 2012

Me mata de amor

- Mas e então, qual o seu problema? Você é bonito, inteligente, engraçado... morro de rir com você!
- Não quero alguém que morra de mim, quero alguém que morra por mim.
- Tenho certeza que existem milhares que morreriam por você.
- Existem, claro. E, posso falar? Já matei todos eles!
- Bom, sempre tem um sobrevivente!
- Eu sei... sou um deles!

Segunda-feira, Fevereiro 27, 2012

Os meus velhos sapatos

Quando eu era criança acordava durante a noite, chorando. O crescimento dos ossos das minhas pernas me fizeram sofrer de dor. Eu mal conseguia levantar para pedir ajuda aos meus pais/irmãos. Como era difícil crescer. Quando eu era criança, eu mal sabia que as dores do crescimento iam além da dor nas pernas.
Andei muito por aí. Houve momentos em que me carregaram no colo, quando eu estava cansado. Em outros, porém, fiz longas caminhadas que, vistas de longe, pareceram feitas em um pé só. Mas vocês já pensaram o quanto andar em um pé só é mais difícil do que usar as duas pernas? Sou um pouco consumista com roupas, mas só troco meus tênis quando eles não me servem mais. Apesar disso, chega uma hora em que a gente para de crescer e, mesmo assim, alguns dos nossos sapatos antigos não servem mais. Talvez seja o breve instante em que paramos de crescer para começarmos a evoluir.
Quando chegar em casa, a primeira coisa que eu vou fazer é ficar descalço.

Sexta-feira, Fevereiro 24, 2012

Nós não vamos pagar nada!

Ser classe C não é fácil. Pior ainda é quando você está inserido em um meio social em que as pessoas acreditam que você tem o mesmo nível econômico (aquela coisa de estudar na FAAP e ir de ônibus). Não me faço de nada pra ninguém, prefiro que as expectativas ao meu respeito sejam baixas para que eu consiga superar todas elas. Teoria podre pra quem se considera um bocado inteligente.
Depois que fui morar sozinho, entendi o papo das pessoas sobre o preço do papel higiênico e sobre a louca procura pelo lugar onde vende o alface mais fresquinho. Proletariado sem prole.
Além disso, descobri que tudo o que a gente come da geladeira, acaba; sem contar que quando a gente não divide, as coisas estragam. Finjo naturalidade como se já soubesse de tudo isso de vidas passadas.
Há alguns dias, quase morrendo desidratado, resolvi ir até o supermercado para comprar água potável. Pensei em tomar do chuveiro - pela preguiça - mas eu não sei o que fiz com o chuveiro que a água sai na temperatura de uma sopa. Coloquei um chinelo amarelo, uma bermuda azul e uma camiseta rasgada. Era óbvio que eu iria encontrar alguém interessante que eu já conhecesse. Me fiz de louco e, com o ipod no ouvido, cantava uma música americana no meu próprio dialeto. Peguei um desodorante e fiz de microfone pra galera da gôndola de higiene pessoal (essa parte é mentira! kkk).
Percorri todo o supermercado em busca de algo que suprisse a minha sede de viver. No caso, água. Achei um absurdo uma garrafa de água custar quase R$10,00. Saí por onde entrei e fui até o supermercado da frente que tem o slogan destinado às pessoas da classe C. No caso, eu.
Eu sou tão classe C que, quando saio de algum lugar sem comprar nada, sempre acho que alguém da loja/supermercado pensa que eu furtei alguma coisa. Talvez seja por isso que costumo comprar alguma coisinha em qualquer lugar que eu entre: tenho um monte de roupas que nem a etiqueta eu tirei.
Chegando no supermercado classe C, peguei as duas garrafas de água e entre na única fila que existia. Fila esta que estava lotava. Na minha frente, uma senhora e sua filha revezavam de 10 em 10 segundos para voltar às gôndolas atrás de alguma coisa que tinham esquecido. No meu IPod, o sucesso dos Titãs: Nós Não Vamo Pagá Nada! Eu podia estar irritado com aquela situação de entra e sai da fila, inclusive pelo fato de a todo instante elas esbarrarem em mim, mas preferi fechar os olhos e alinhar meus chakras.
Depois de uns 40 minutos, uma pessoa incrível teve a ideia genial de abrir um dos outros 7 caixas que estavam fechados, chamando assim as pessoas da minha fila para se dividirem entre a fila nova. Como eu estava apenas com duas garrafas de água, consegui chegar primeiro que as outras pessoas. Não que eu tivesse corrido ou desesperado pra sair de lá (o que eu estava), mas porque era mais fácil pra mim, do que para as pessoas que estava com carrinhos de compras.
Foi então que as tais mulher e a filha começaram a gritar dizendo que estavam na minha frente na outra fila. Odeio gente que grita. Perguntei para as mulheres se era possível eu passar na frente pois estava apenas com duas garrafas de água (enquanto o carrinho delas estava abastecido para a espera do fim do mundo). Elas não responderam e gritavam mais ainda que iriam chamar o gerente. Eu odeio gente que grita - ainda mais quando estou de ressaca. Fui até a outra fila e pedi para que, por favor, as mulheres entrassem na minha frente, que não havia porque discutir. Elas gritavam e gritavam, mesmo e tendo pedido para que elas entrassem na minha frente. E eu fui pagando a minha conta.
Peguei a nota fiscal, chamei as duas e, dizendo que elas estavam precisando, arremessei um pacote de camisinha que fica no caixa.
No meu IPod tocava Cara Caramba Cara Caraô.
Eu adoro ser da classe C!


A sutil diferença

Que diferença faz o chinelo que você usa, o carro que você tem? Que diferença faz se o seu macarrão ficou saboroso, se o chá está gelado? Se seu nariz está sujo? Que diferença faz a ressaca do dia anterior?
Que diferença tudo isso faz quando eu acordo e você já está olhando pra mim?
Não sei que diferença isso faz pra você. Mas pra mim, tem feito muito.